Estava conversando com uma amiga hoje, essas conversas que acabam sempre rolando no fim do ano, do que você quis e conseguiu, no que fracassou, o que mudou de idéia no meio do caminho. Bom, fracassei em muitas coisas e tentei muitas coisas que nem tinha planejado, tive três empregos, ganhamos uma lei de incentivo, estudei, conheci pessoas sensacionais, ainda assim, saí dessa conversa meio frustrada, com uma sensação que tinha feito tanta coisa, mas nada realmente significativo.
Mas chegando aqui em casa agora, pensando mais friamente em todo que fiz, me deu um orgulho enorme de mim, porque tudo que fiz pode não ter sido muito, mas é grande e significativo quando por boa parte do ano você faz tudo com uma faca enfiada bem no meio do peito e mesmo sem pra quem e com algumas esperanças cortadas e sangrando, você ainda faz terapia por bastante tempo e tenta ser o melhor possível pra ninguém a não ser pra você. Não dizer que a vida é dura é omitir certas verdades sobre ela só pra não parecer coitado e eu perdi o medo disso. Mas nada me estimulou a fazer tudo que fiz a não ser eu mesma e me orgulho muito. Isso me traz uma certeza confortável de que sou melhor do que fui o ano passado. Eu cresci. Posso não saber o que faço com isso, mas sei bem pra serve, como me disse o Lucas uma dessas pessoas sensaconais que conheci, isso serve pra SER.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Uma abelha
Suponho que como qualquer garoto
tive um melhor amigo na vizinhança.
o nome dele era Eugene e era muito maior
do que eu e um ano mais velho.
Eugene costumava me encher de porrada.
estávamos sempre brigando.
eu tentava vencê-lo mas sempre sem muito
sucesso.
uma vez pulamos juntos de cima do telhado da garagem
para provar que éramos valentes.
torci meu tornozelo e ele saiu ileso
como manteiga recém-tirada do papel.
acho que a única coisa boa que ele fez por mim
foi quando uma abelha me picou o pé descalço
e assim que me sentei para tirar o ferrão
ele disse,
“vou pegar a filha-da-puta!”
e foi o que ele fez
com uma raquete de tênis
mais um martelo de borracha.
estava tudo bem
dizem que de qualquer modo
elas morrem.
meu pé inchou e dobrou de tamanho
e eu fiquei de cama
rezando para morrer
e Eugene seguiu em frente e se tornou um
almirante ou comandante
de alguma coisa de vulto na Marinha dos Estados Unidos
e conseguiu passar por uma ou duas guerras
sem se ferir.
imagino-o envelhecido agora
numa cadeira de balanço
com seus dentes postiços
bebendo seu leitinho…
enquanto eu bêbado
masturbo esta tiete de 19 anos
que divide a cama comigo.
mas o pior é que
(assim como naquele salto do telhado da garagem)
Eugene segue vencendo
porque ele nem sequer está pensando
em mim.
Charles Bukowski
tive um melhor amigo na vizinhança.
o nome dele era Eugene e era muito maior
do que eu e um ano mais velho.
Eugene costumava me encher de porrada.
estávamos sempre brigando.
eu tentava vencê-lo mas sempre sem muito
sucesso.
uma vez pulamos juntos de cima do telhado da garagem
para provar que éramos valentes.
torci meu tornozelo e ele saiu ileso
como manteiga recém-tirada do papel.
acho que a única coisa boa que ele fez por mim
foi quando uma abelha me picou o pé descalço
e assim que me sentei para tirar o ferrão
ele disse,
“vou pegar a filha-da-puta!”
e foi o que ele fez
com uma raquete de tênis
mais um martelo de borracha.
estava tudo bem
dizem que de qualquer modo
elas morrem.
meu pé inchou e dobrou de tamanho
e eu fiquei de cama
rezando para morrer
e Eugene seguiu em frente e se tornou um
almirante ou comandante
de alguma coisa de vulto na Marinha dos Estados Unidos
e conseguiu passar por uma ou duas guerras
sem se ferir.
imagino-o envelhecido agora
numa cadeira de balanço
com seus dentes postiços
bebendo seu leitinho…
enquanto eu bêbado
masturbo esta tiete de 19 anos
que divide a cama comigo.
mas o pior é que
(assim como naquele salto do telhado da garagem)
Eugene segue vencendo
porque ele nem sequer está pensando
em mim.
Charles Bukowski
Amor bastante
...um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
(Paulo Leminsk)
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
(Paulo Leminsk)
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Enfie a sua fala bem articulada e suas idéias sensatas e toda essa sua criatividade perfeita no seu lugar mais centrado e se divirta.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
...É um carinho guardado no cofre
De um coração que voou
É um afeto deixado nas veias
De um coração que ficou
É a certeza da eterna presença
Da vida que foi
Da vida que vai
É a saudade da boa
Feliz, cantar
Que foi, foi, foi
Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente amar
Gonzaguinha
De um coração que voou
É um afeto deixado nas veias
De um coração que ficou
É a certeza da eterna presença
Da vida que foi
Da vida que vai
É a saudade da boa
Feliz, cantar
Que foi, foi, foi
Foi bom e pra sempre será
Mais, mais, mais
Maravilhosamente amar
Gonzaguinha
sábado, 31 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
"Quando chegar na tua casa
E encontrar solidão
Lembre de mim que também vivo só"
Paulinho Pedra Azul
Só e feliz
E encontrar solidão
Lembre de mim que também vivo só"
Paulinho Pedra Azul
Só e feliz
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poemas muito antigos
Sou calada,
Talvez seja incompetente mesmo,
Talvez pense tanto que não me sobre tempo pra falar,
Talvez não queira me mostrar,
Quem sabe não tenha aprendido,
Quem sabe não tenham me ensinado,
Mas não me importo, gosto,
Prefiro ser calada a não dizer nada.
"Eu quase não falo, eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada nessa multidão boiada
Caminhando a esmo"
(Dominguinhos e Gilberto Gil)
Talvez seja incompetente mesmo,
Talvez pense tanto que não me sobre tempo pra falar,
Talvez não queira me mostrar,
Quem sabe não tenha aprendido,
Quem sabe não tenham me ensinado,
Mas não me importo, gosto,
Prefiro ser calada a não dizer nada.
"Eu quase não falo, eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada nessa multidão boiada
Caminhando a esmo"
(Dominguinhos e Gilberto Gil)
Refúgio
Não me agüento,
sou raramente quase tranqüilo,
Sou um andarilho levando comigo este tormento,
E antes que eu me veja perdido,
Olhar e ver,
Um mundo dentro desse mundo,
Onde eu possa covardemente me esconder.
Rio
Sou só,
Sou rio só,
Só, sou rio,
Rio, sou só.
Nada é imutável!
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eu sou progressista. Mas meu futuro insiste em ser conservador.
Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacio y solo sin haber hecho lo suficiente.
(Mercedes Sosa)
Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacio y solo sin haber hecho lo suficiente.
(Mercedes Sosa)
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
O bilhete
Marta, jovem professora primária está sentada à mesa da cozinha de sua casa. Após alguns segundos ela escuta o que parece ser um zumbido de inseto, olha para a mesa e observa uma abelha se debatendo afundada numa poça de leite condensado, derramado. Indiferente, pega uma seringa em sua bolsa e estende a mão para apanhar uma ampola que também está sobre a mesa...
No dia seguinte por volta de sete e meia da manhã, Ana Maria, menina gordinha, está sentada na fila do meio, na cadeira do meio da sala de aula da segunda série de uma escola da periferia de Belo Horizonte, Minas Gerais.
São os primeiros dias de aula daquele ano e a professora ensina as crianças a soletrar, ela soletra a palavra “bolo” e pede que repitam. Todos repetem ao mesmo tempo, menos Ana Maria que está distraída, parece estar em outro mundo observando uma abelha que se agita violentamente contra a janela de vidro daquela sala.
A professora a chama pelo nome e ela não escuta, a chama novamente, mas ela está bem concentrada, como se estivesse quase sentindo a angústia daquele simpático inseto aprisionado.
Então Marta se aproxima e sacode a menina levemente pelo braço. Outras crianças riem e a aluna assustada volta à atenção a professora, as duas se olham fixamente nos olhos.
Seis de maio, aniversário de Ana Maria. As crianças da sala se reuniram ao redor de uma mesa bem grande no refeitório da escola, o bolo era de chocolate com cobertura de brigadeiro. Ela está de pé numa cadeira no centro da mesa, timidamente ela irradia felicidade, seus olhos brilhavam num quase choro. Todos os professores chegaram cedo para encher os balões com as cores preferidas dela, vermelho e branco.
Ao soprar a vela de sete anos, a menina visualiza uma abelha pousada sobre o bolo. Após apagar a vela a professora o retira da mesa bruscamente dizendo: ”Ana Maria não pode comer doce”. A menina então efetiva um choro de tristeza.
No dia seguinte após o sinal para a aula de educação física, as crianças saem eufóricas gritando e correndo para fora da sala. Aninha, como era chamada, permanece sentada em sua cadeira para acabar de copiar a lição de casa ao mesmo tempo em que a lê em voz alta: “Vovó viu o bolo”.
Sozinha, ela olha para a lancheira do colega ao lado, verifica se alguém a observa e bem depressa apanha uma espécie de pão doce recheado conhecido como “Marta Rocha”.
Chegando nesse exato momento, a professora surpreende a menina ainda com o pão nas mãos e a boca suja do recheio. A merendeira do colega aberta e revirada bem na sua frente a condenava sem deixar dúvidas.
Assustada, mas sem estardalhaços, a professora sai lentamente e fecha a porta dizendo que da próxima vez escreveria um bilhete para sua mãe.
É sábado e a jovem Marta está em um supermercado fazendo compras. Caminhando pelo supermercado ela vê vários tipos de doces em uma prateleira, pega um e coloca rapidamente em sua bolsa. Tentando sair friamente do local, a professora é surpreendida pelo o balconista que sem muito alarde, mas furioso, diz a ela para tomar cuidado que da próxima vez chamaria a polícia.
Chegando a sua casa a jovem professora se senta a mesa da cozinha e escreve algo em um caderno brochurão.
Marta novamente pega uma seringa em sua bolsa e estende a mão para pegar uma ampola que está sobre a mesa. Na ampola está escrito INSULINA, ao lado da ampola há uma lata de leite condensado com um furo, ao estender a mão ela visualiza a lata, pega e a leva a boca lentamente. Ela a chupa com um prazer quase sexual se lambuzando e explorando toda a cozinha. Atordoada cai ao chão e com os olhos fechados já quase desfalecida, esboça um leve sorriso.
Em cima da mesa um bilhete escrito no caderno de Para Casa de Ana Maria, dizia:
SENHORA VILMA, GOSTARIA QUE ASSINASSE O BILHETE A RESPEITO DE SUA FILHA, A ALUNA ANA MARIA, COMER DOCES ESCONDIDO E ATÉ MESMO PEGAR DOCES DE OUTRAS CRIANÇAS DA CLASSE, O QUE PODE AGRAVAR SUA DIABETES.
ASS: Professora Marta Rocha.
No dia seguinte por volta de sete e meia da manhã, Ana Maria, menina gordinha, está sentada na fila do meio, na cadeira do meio da sala de aula da segunda série de uma escola da periferia de Belo Horizonte, Minas Gerais.
São os primeiros dias de aula daquele ano e a professora ensina as crianças a soletrar, ela soletra a palavra “bolo” e pede que repitam. Todos repetem ao mesmo tempo, menos Ana Maria que está distraída, parece estar em outro mundo observando uma abelha que se agita violentamente contra a janela de vidro daquela sala.
A professora a chama pelo nome e ela não escuta, a chama novamente, mas ela está bem concentrada, como se estivesse quase sentindo a angústia daquele simpático inseto aprisionado.
Então Marta se aproxima e sacode a menina levemente pelo braço. Outras crianças riem e a aluna assustada volta à atenção a professora, as duas se olham fixamente nos olhos.
Seis de maio, aniversário de Ana Maria. As crianças da sala se reuniram ao redor de uma mesa bem grande no refeitório da escola, o bolo era de chocolate com cobertura de brigadeiro. Ela está de pé numa cadeira no centro da mesa, timidamente ela irradia felicidade, seus olhos brilhavam num quase choro. Todos os professores chegaram cedo para encher os balões com as cores preferidas dela, vermelho e branco.
Ao soprar a vela de sete anos, a menina visualiza uma abelha pousada sobre o bolo. Após apagar a vela a professora o retira da mesa bruscamente dizendo: ”Ana Maria não pode comer doce”. A menina então efetiva um choro de tristeza.
No dia seguinte após o sinal para a aula de educação física, as crianças saem eufóricas gritando e correndo para fora da sala. Aninha, como era chamada, permanece sentada em sua cadeira para acabar de copiar a lição de casa ao mesmo tempo em que a lê em voz alta: “Vovó viu o bolo”.
Sozinha, ela olha para a lancheira do colega ao lado, verifica se alguém a observa e bem depressa apanha uma espécie de pão doce recheado conhecido como “Marta Rocha”.
Chegando nesse exato momento, a professora surpreende a menina ainda com o pão nas mãos e a boca suja do recheio. A merendeira do colega aberta e revirada bem na sua frente a condenava sem deixar dúvidas.
Assustada, mas sem estardalhaços, a professora sai lentamente e fecha a porta dizendo que da próxima vez escreveria um bilhete para sua mãe.
É sábado e a jovem Marta está em um supermercado fazendo compras. Caminhando pelo supermercado ela vê vários tipos de doces em uma prateleira, pega um e coloca rapidamente em sua bolsa. Tentando sair friamente do local, a professora é surpreendida pelo o balconista que sem muito alarde, mas furioso, diz a ela para tomar cuidado que da próxima vez chamaria a polícia.
Chegando a sua casa a jovem professora se senta a mesa da cozinha e escreve algo em um caderno brochurão.
Marta novamente pega uma seringa em sua bolsa e estende a mão para pegar uma ampola que está sobre a mesa. Na ampola está escrito INSULINA, ao lado da ampola há uma lata de leite condensado com um furo, ao estender a mão ela visualiza a lata, pega e a leva a boca lentamente. Ela a chupa com um prazer quase sexual se lambuzando e explorando toda a cozinha. Atordoada cai ao chão e com os olhos fechados já quase desfalecida, esboça um leve sorriso.
Em cima da mesa um bilhete escrito no caderno de Para Casa de Ana Maria, dizia:
SENHORA VILMA, GOSTARIA QUE ASSINASSE O BILHETE A RESPEITO DE SUA FILHA, A ALUNA ANA MARIA, COMER DOCES ESCONDIDO E ATÉ MESMO PEGAR DOCES DE OUTRAS CRIANÇAS DA CLASSE, O QUE PODE AGRAVAR SUA DIABETES.
ASS: Professora Marta Rocha.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Não estou vangloriando minhas dificuldades para dizer que tenho mais realidade correndo em minhas veias. Mas porra.. Algumas pessoas não são desse país!
sábado, 19 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
"Rezo o meu amor porque o meu amor é já uma oração; mas nem te concebo como amada, nem te ergo ante mim como santa."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Solidão
Latejam os polegares opositores,
sinto que sou só mesmo sem querer,
uma máquina feita de carne desajustada e pensante.
sinto que sou só mesmo sem querer,
uma máquina feita de carne desajustada e pensante.
domingo, 30 de agosto de 2009
Vida.. vida..vida...vida..
As vezes é tanta vida que sufoca, mas não é suficiente respirar, vontade doida de ser a brisa no rosto na noite quente, de ser domingo, vontade incontrolável de ser a chuva que molhou a Alice naquela sexta feira quente antes do cinema. Ai Deus... Vontade de ser atriz naquele filme.
As vezes é tanta vida em mim que estar não é suficiente é preciso ser.
As vezes é tanta vida em mim que estar não é suficiente é preciso ser.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Realidade ou ficção
Rotineiramente ela caminha numa rua tumultuada voltando para casa após a faculdade. Um orelhão toca no momento em que ela passa.
Ela atende:- Alô!
Uma voz muito aguda:
- Queria falar com a Alice.
Assustada a menina pergunta:
- Quem é? Quem é?
Alice desliga o telefone e sai andando, a rua é cheia de bares e de pessoas que bebem, fumam e falam muito alto, um rato passa bem em sua frente, ela o ignora e continua andando em direção ao seu ponto de ônibus.
Entrando numa rua paralela, a poucos metros de daquele ambiente insurdecedor e hostil, misteriosamente impera um silêncio absurdo e nenhuma pessoa, ela se vê parada e assustada na noite escura, um vento forte a toma de repente.
Procurando ajuda ela resolve entrar num prédio qualquer naquela mesma rua. Na portaria antes que ela dissesse algo, um porteiro meio gordo e careca interfone para um dos apartamentos e a surpreende dizendo:
- A Alice chegou!Continua
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Carrego com força a montanha de levezas que sou,
Carrego o peso de não me permitirem ser nada
Porque o nada é mavioso e puro
E dele se cria a liberdade
Carrego o peso de não ser livre
Carrego o peso de não me permitirem ser nada
Porque o nada é mavioso e puro
E dele se cria a liberdade
Carrego o peso de não ser livre
Teste e fé
A dor de pisar forte,
Para o chão não esquecer,
Para os pés se lembrarem,
Da rua que se perde.
Mas não é por seguir que agüento,
Se houver Deus, escuta:
Se o defeito for eu,
Me leia bem alto,
Mas se quer um conselho
Ó perfeito,
Jamais diga que esse poema é meu.
Para o chão não esquecer,
Para os pés se lembrarem,
Da rua que se perde.
Mas não é por seguir que agüento,
Se houver Deus, escuta:
Se o defeito for eu,
Me leia bem alto,
Mas se quer um conselho
Ó perfeito,
Jamais diga que esse poema é meu.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tem me incomodado bastante o fato de eu falar tanto sobre a minha vida sentimental e nada sobre todas as formas de lixo importado que nem sempre chegam em contêiner, das lutas de classes e sobre as dolorosas condições impostas pela sociedade mercantilizada que conheço muito bem.
Essas questões sociais me fazem pensar que se o curso da minha história não tivesse mudado drasticamente, eu estaria ainda suspensa do tempo, da dor, anestesiada.
O fato é que agora posso ver com a clareza de quem só tem a si mesma. Alguém que vai chorar sem nenhum consolo após um dia inteiro de trabalho escravo numa empresa de telefonia, pra ganhar um dinheiro que não tem tempo pra gastar ou vai fazer alguma coisa em vez de ser consolada e esquecer mais um dia ruim.
Agora que juntei meus pedaços não quero mais nada que me tire da realidade, se eu não gosto dela, quero aprender amar transformá-la.
Tenho descoberto o teatro político e me interessado muito.
Enfim, de certa forma já estou nesse caminho.
Essas questões sociais me fazem pensar que se o curso da minha história não tivesse mudado drasticamente, eu estaria ainda suspensa do tempo, da dor, anestesiada.
O fato é que agora posso ver com a clareza de quem só tem a si mesma. Alguém que vai chorar sem nenhum consolo após um dia inteiro de trabalho escravo numa empresa de telefonia, pra ganhar um dinheiro que não tem tempo pra gastar ou vai fazer alguma coisa em vez de ser consolada e esquecer mais um dia ruim.
Agora que juntei meus pedaços não quero mais nada que me tire da realidade, se eu não gosto dela, quero aprender amar transformá-la.
Tenho descoberto o teatro político e me interessado muito.
Enfim, de certa forma já estou nesse caminho.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
mente ao meu coração
Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes
Composição: Francisco Malfitano e Pandia Pires
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes
Composição: Francisco Malfitano e Pandia Pires
sábado, 11 de julho de 2009
É sábado quinze para as sete da noite e eu estou aqui em frente ao computador do meu quarto onde a poucos minutos via a minha mãe improvisando uma espécie de pizza. Estava aqui pensando em pessoas, só estava aqui sem pretensão de escrever nada, ou melhor, querendo mais não conseguindo outra vez. Foi quando minha mãe me chamou: "Alice, vem ver se tá bonito", chegando lá tinha três formas e ela disse: "Óh que chique.. Tem pequena, média e grande", nesse momento voltei pro quarto e a vontade de escrever me tomou junto com uma vontade incontrolável de chorar...
TPM é foda!
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado...
Vinicius de Moraes
TPM é foda!
O dia da criação
"Neste momento há um casamentoPorque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado...
Vinicius de Moraes
sexta-feira, 26 de junho de 2009
... A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.
Charles Bukowski
Charles Bukowski
domingo, 21 de junho de 2009
Deuses
Sabe aquela pessoa que você não conhece e está onde você queria estar nesse momento? A amiga da sua amiga que é uma atriz maravilhosa por exemplo ou aquela pessoa que por algum motivo sei lá porque você só guardou coisas boas? Parece que essas pessoas não falam a mesma língua que a gente e que são tão perfeitas que a gente nem consegue imaginar. Não são comuns o suficiente para constar em lista telefônica, jamais um dia estariam na fila do meu ônibus e nunca, nunca andaram de madrugada no centro numa de suas calçadas sujas, urinadas e defecadas vendo ratos por todos os lados quando voltavam sozinhas do seu trabalho. Aí, um belo dia você as conhece ou as reencontram e então acontece de você dar graças a Deus por ser você mesmo. É! As vezes a imaginação não tem limite.
"Algumas pessoas são sensacionais porque vivem só nas nossas lembranças, mas na verdade...
Aliás, todo mundo devia andar no centro de madrugada.
"Algumas pessoas são sensacionais porque vivem só nas nossas lembranças, mas na verdade...
Aliás, todo mundo devia andar no centro de madrugada.
domingo, 14 de junho de 2009
Minha mãe quer que eu case mais eu nem tenho namorado, ela quer que eu ganhe dinheiro e sou atriz e trabalho num projeto social. Eu sou maravilhosamente decepcionante!
terça-feira, 26 de maio de 2009
Andei um pouco distante, é que quando penso em escrever só consigo pensar: Sobre o quê? Acho que estou vivendo mais.
Coloquei aquela música que me inspira e estou aqui, não conseguindo, ou sim? Então vamos lá:
Os meninos do projeto tomam boa parte dos meus pensamentos, penso não só no que vou dar na próxima aula, mas também no trabalho que eles dão ao mesmo tempo em que são adoráveis e me enchem de vida.
Os meus sonhos e as crianças me leva pra um mundo novo de possibilidades que eu não escrevia aqui.
Acho que estou me esvaziando de certas coisas mil vezes batidas e cansativas como decepções com pessoas previsíveis, vazias e cheias de teorias. Chego a pensar que se me decepcionarem hoje eu não vou ligar caso eu perceba.
A parte isso, tenho os melhores amigos possíveis, penso neles e em como ajuda-los, como eles fazem comigo.
Rio, me divirto, resolvo problemas(esquece-los as vezes é resolver), muitos me procuram, mas acho que são fundamentais para que a normalidade das coisas não me engula estressantemente, as vezes choro e acho que não vai dar, supero e aí começa tudo de novo. Enfim, estou vivendo.
Coloquei aquela música que me inspira e estou aqui, não conseguindo, ou sim? Então vamos lá:
Os meninos do projeto tomam boa parte dos meus pensamentos, penso não só no que vou dar na próxima aula, mas também no trabalho que eles dão ao mesmo tempo em que são adoráveis e me enchem de vida.
Os meus sonhos e as crianças me leva pra um mundo novo de possibilidades que eu não escrevia aqui.
Acho que estou me esvaziando de certas coisas mil vezes batidas e cansativas como decepções com pessoas previsíveis, vazias e cheias de teorias. Chego a pensar que se me decepcionarem hoje eu não vou ligar caso eu perceba.
A parte isso, tenho os melhores amigos possíveis, penso neles e em como ajuda-los, como eles fazem comigo.
Rio, me divirto, resolvo problemas(esquece-los as vezes é resolver), muitos me procuram, mas acho que são fundamentais para que a normalidade das coisas não me engula estressantemente, as vezes choro e acho que não vai dar, supero e aí começa tudo de novo. Enfim, estou vivendo.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
quarta-feira, 22 de abril de 2009
"Ela normalmente dava bons conselhos a si mesma (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente, que ficava com os olhos cheios de lágrimas."
(Lewis Carroll)
(Lewis Carroll)
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Se você não conseguisse se lembrar de nada, por mais que tentasse? Atada aos dias felizes do passado, como naqueles pesadelos que você quer acordar e não consegue.
Como que por temor de sair do seu mundo feito de lego e se esquecer de vez do seu pula pirata, do lango lango, do cabeça de batata e das mini garrafas de coca cola que não tinham veneno dentro, vc não fizesse valer as lembranças do primeiro emprego e do quanto foi maravilhoso perde-lo, da primeira noite de amor que seu corpo pulsou o seu primeiro ápice de se sentir vivo e até da dor que te faz pensar que a música mais linda do mundo não é uma lambada do Sidney Magal.."chorando se foi quem um dia só me fez chorar..."rs
Então quando acordamos ficamos com fome de viver e errar porque errar é dor de querer viver. E de livramos da prisão de um passado bom e fazer só o que precisamos, nos lembrar.
Viver o passado, nos faz perder muito tempo desviando caminhos rumo a pernas alheias, então passamos um ano e mais sem olhar para as nossas próprias pernas, aconteceu comigo. Elas já não eram mais minhas, elas só perseguiam outras pernas, pernas negras de pessoas que já estavam muito longe, por isso é que eu também estava longe. Inexistente. Elas nunca me obedeciam e as feridas latejavam. O chão já havia roído o gesso e depois a carne viva. Usar muletas foi a opção mais segura de não sentir mas dor, os meus pés no chão e a vida. É duro morar longe quando sua perna está quebrada ou quando sua mãe está bem distante de ser uma ortopedista. Mas, apesar disso, tenho chegado cada vez mais cedo em casa. Na minha própria casa.
Como que por temor de sair do seu mundo feito de lego e se esquecer de vez do seu pula pirata, do lango lango, do cabeça de batata e das mini garrafas de coca cola que não tinham veneno dentro, vc não fizesse valer as lembranças do primeiro emprego e do quanto foi maravilhoso perde-lo, da primeira noite de amor que seu corpo pulsou o seu primeiro ápice de se sentir vivo e até da dor que te faz pensar que a música mais linda do mundo não é uma lambada do Sidney Magal.."chorando se foi quem um dia só me fez chorar..."rs
Então quando acordamos ficamos com fome de viver e errar porque errar é dor de querer viver. E de livramos da prisão de um passado bom e fazer só o que precisamos, nos lembrar.
Viver o passado, nos faz perder muito tempo desviando caminhos rumo a pernas alheias, então passamos um ano e mais sem olhar para as nossas próprias pernas, aconteceu comigo. Elas já não eram mais minhas, elas só perseguiam outras pernas, pernas negras de pessoas que já estavam muito longe, por isso é que eu também estava longe. Inexistente. Elas nunca me obedeciam e as feridas latejavam. O chão já havia roído o gesso e depois a carne viva. Usar muletas foi a opção mais segura de não sentir mas dor, os meus pés no chão e a vida. É duro morar longe quando sua perna está quebrada ou quando sua mãe está bem distante de ser uma ortopedista. Mas, apesar disso, tenho chegado cada vez mais cedo em casa. Na minha própria casa.
sábado, 4 de abril de 2009
A dança dos tipos
Na incrível “dança dos tipos” que é o mundo, nenhum me impressiona mais do que atores e atrizes. Que gente incrível, esta do teatro! Andam por aí com a alma transbordando de tantas vidas que percorrem numa só.
Mas não se engane, colega! Uma atriz nunca usa máscara. São dela os rostos que você vê. Como a água que você bebe, que não era sua antes, de você botar pra dentro, não eram dela as faces antes de ela vesti-las.
Acham uma existência só muito pouco. E aí vivem muitas. E aí, insaciáveis, vivem as nossas, para que possamos nos olhar quando as vemos no palco.
E querem ser amadas! Essa gente representa para ter atenção. Só pedem isso: atenção.
Mas colega, aqui entre nós, quem não quer atenção? Não é isso que difere os atores de nós. É a capacidade deles de reconhecer dentro deles o santo e o monstro. E expurgar o monstro em cena, para que nós nos livremos dele.
Que ninguém diga que uma atriz não tem personalidade! Claro que tem, colega. É apenas múltipla, como o Rio de Janeiro, que tem mil cidades dentro. Múltipla, como todo ser humano é.
Atores não mentem. Nós é que mentimos quando fingimos ser uma coisa só. Não ser atriz é passar a vida mentindo. Atuar é assumir, de verdade, mil faces, duas mil mudanças, três milhões de sentimentos.
São muito acompanhados e solitários, esses seres do palco. Acompanhados, pois andam em bando como alguns pássaros. E solitários porque às vezes não conseguem se ver no palco, pois não suportam estar na platéia.
Se eles representam a todos nós, colega, quem os representará? É preciso amar essa gente. Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo, fingindo descansar, inventou atores e atrizes, para que ele mesmo entendesse o que havia criado. "
(Oswaldo Montenegro)
(Oswaldo Montenegro)
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Atenta outra vez!
O que mede o ápice de uma vida? Será que saberei reconhecê-lo quando chegar?
Será quando tudo que sonhou se realizar, quando conseguir o emprego que queria muito, um amor que te busque no trabalho e de tão grande, quando você falar dele seus olhos se encherão de água?
Nesse dia todos na rua estarão felizes e sorrindo só pra você.
E se não durar, que a lembrança seja um ápice pra sempre, algo que te faça sentir vivo.
No fundo acho que temos várias chances e tudo é só uma questão de não estarmos distraídos quando este momento chegar. Eu estou atenta agora e você?
Será quando tudo que sonhou se realizar, quando conseguir o emprego que queria muito, um amor que te busque no trabalho e de tão grande, quando você falar dele seus olhos se encherão de água?
Nesse dia todos na rua estarão felizes e sorrindo só pra você.
E se não durar, que a lembrança seja um ápice pra sempre, algo que te faça sentir vivo.
No fundo acho que temos várias chances e tudo é só uma questão de não estarmos distraídos quando este momento chegar. Eu estou atenta agora e você?
sexta-feira, 13 de março de 2009
Tenho a pele morna e seu corpo não me aquece mais, consertei o aquecedor ou é só o calor de mais uma estação? Veremos.
Que passe por mim furacão ou uma brisa. Eu só quero me sentir fresca.
Que passe por mim furacão ou uma brisa. Eu só quero me sentir fresca.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Quero escrever algo, mas minha cabeça vazia não está com inspiração para poesias, então vou falar de uma peça que assisti e que gostei muito.
Peça: Aqueles dois (Companhia Luna Lunera)
Do conto de Caio Fernando Abreu
A peça retrata a vida de dois rapazes solitários que se reconhecem e estreitam seus laços através do gosto pelo cinema. A solidão, a sensação de vazio, o trabalho maçante e rotineiro que não foram sonhados por nenhum dos dois personagens: tudo isso é muito comum, principalmente aos habitantes das grandes cidades.
No momento em que os personagens se esbarram com a leveza e a vivacidade que trouxeram as próprias vidas ao se relacionarem, fazem com que haja uma identificação quase que instintiva por parte dos espectadores.
Atribuído a isso, o texto foi narrado de maneira tão informal que, por vezes se misturava com os diálogos da peça, reforçando a idéia de identificação, como se a platéia saísse do seu lugar cômodo e fizesse também parte do espetáculo.
O homossexualismo assim como no conto de Caio Fernando de Abreu, foi tratado de forma sutil e gradativa, alias, toda a peça foi representada quase com absoluta paridade ao próprio texto.
O jogo de partituras físicas entre os atores criou uma sensação de envolvimento dos personagens, que foram se tornando quase que um só ao decorrer da peça.
A trilha sonora que foi coloca durante a peça pelos próprios personagens, harmonizava-se perfeitamente com o contexto, chega ser estranho agora pensar que de fato havia uma trilha sonora, seria talvez mais apropriado dizer que a trilha era mais um personagem da peça. As canções, os discos e músicos citados nos próprios diálogos davam um clima mais intimista e aliado ao cenário carregava o ambiente de uma nostalgia meio anos 80, resgatando por vezes a memória e sensibilizando ainda mais o espectador.
História simples que poderia chegar ao banal se não fosse o modo cuidadoso e inteligente para que tudo parecesse incrivelmente novo. E pareceu!
Peça: Aqueles dois (Companhia Luna Lunera)
Do conto de Caio Fernando Abreu
A peça retrata a vida de dois rapazes solitários que se reconhecem e estreitam seus laços através do gosto pelo cinema. A solidão, a sensação de vazio, o trabalho maçante e rotineiro que não foram sonhados por nenhum dos dois personagens: tudo isso é muito comum, principalmente aos habitantes das grandes cidades.
No momento em que os personagens se esbarram com a leveza e a vivacidade que trouxeram as próprias vidas ao se relacionarem, fazem com que haja uma identificação quase que instintiva por parte dos espectadores.
Atribuído a isso, o texto foi narrado de maneira tão informal que, por vezes se misturava com os diálogos da peça, reforçando a idéia de identificação, como se a platéia saísse do seu lugar cômodo e fizesse também parte do espetáculo.
O homossexualismo assim como no conto de Caio Fernando de Abreu, foi tratado de forma sutil e gradativa, alias, toda a peça foi representada quase com absoluta paridade ao próprio texto.
O jogo de partituras físicas entre os atores criou uma sensação de envolvimento dos personagens, que foram se tornando quase que um só ao decorrer da peça.
A trilha sonora que foi coloca durante a peça pelos próprios personagens, harmonizava-se perfeitamente com o contexto, chega ser estranho agora pensar que de fato havia uma trilha sonora, seria talvez mais apropriado dizer que a trilha era mais um personagem da peça. As canções, os discos e músicos citados nos próprios diálogos davam um clima mais intimista e aliado ao cenário carregava o ambiente de uma nostalgia meio anos 80, resgatando por vezes a memória e sensibilizando ainda mais o espectador.
História simples que poderia chegar ao banal se não fosse o modo cuidadoso e inteligente para que tudo parecesse incrivelmente novo. E pareceu!
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Eu não sei saber se sou mais feliz agora ou se estou me acostumando com a dor que sinto, nem sei se felicidade é nos acostumarmos ou não sentir mais dor, o que sei é que hoje me sinto tão bem.
Uma felicidade que me embarga a voz e que necessita do pouco que eu posso dar, apenas um computador, uma canção de Mercedes Sosa ou qualquer canção de qualquer um do clube da esquina. Desconfio de loucura ou de uma sanidade absurda, mas se for loucura quero um infinito dela. Me sentir acompanhada a dois dias completamente sozinha em pleno carnaval, ouvindo a minha voz apenas quando rio da vídeo cacetada, quando leio um texto em voz alta, não ligar de não parecer poética e assumir que eu me divirto com esses vídeos bestas, me faz gostar mais de mim.
Estou com a sensação que se eu morresse agora, Milton Nascimento choraria no meu enterro.
Uma felicidade que me embarga a voz e que necessita do pouco que eu posso dar, apenas um computador, uma canção de Mercedes Sosa ou qualquer canção de qualquer um do clube da esquina. Desconfio de loucura ou de uma sanidade absurda, mas se for loucura quero um infinito dela. Me sentir acompanhada a dois dias completamente sozinha em pleno carnaval, ouvindo a minha voz apenas quando rio da vídeo cacetada, quando leio um texto em voz alta, não ligar de não parecer poética e assumir que eu me divirto com esses vídeos bestas, me faz gostar mais de mim.
Estou com a sensação que se eu morresse agora, Milton Nascimento choraria no meu enterro.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Seja você
Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
Mais ou menos tudo que se pode ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa, somos imperfeitos
E o que falta cega p'ro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas dê um sorriso quando me entender
Seja você
Sejá só você.
Herbert Vianna
Com mais dinheiro, mais respeito
Mais ou menos tudo que se pode ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa, somos imperfeitos
E o que falta cega p'ro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas dê um sorriso quando me entender
Seja você
Sejá só você.
Herbert Vianna
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Nascer

Eu sou um mundo desabrochando,
Procurando, procurando,
Sozinho de tanta gente?
Acreditar que sim é querer mal a mim,
Mas por vezes me cansa acreditar,
Que em meio a tanta casca serei pássaro.
Pessoas são esculturas vivas,
Expostas em toda parte,
Como nem toda arte é boa,
Nem toda pessoa é.
Por isso prefiro a palavra,
Inteligente nem triste,
Estúpida nem feliz,
Palavras, apenas palavras,
Sem nome, sem corpo, sem rosto,
Palavra acrobata, escritora e atriz.
Procurando, procurando,
Sozinho de tanta gente?
Acreditar que sim é querer mal a mim,
Mas por vezes me cansa acreditar,
Que em meio a tanta casca serei pássaro.
Pessoas são esculturas vivas,
Expostas em toda parte,
Como nem toda arte é boa,
Nem toda pessoa é.
Por isso prefiro a palavra,
Inteligente nem triste,
Estúpida nem feliz,
Palavras, apenas palavras,
Sem nome, sem corpo, sem rosto,
Palavra acrobata, escritora e atriz.
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