Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

mente ao meu coração

Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão
Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças
Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes


Composição: Francisco Malfitano e Pandia Pires

Sábado, 11 de Julho de 2009

É sábado quinze para as sete da noite e eu estou aqui em frente ao computador do meu quarto onde a poucos minutos via a minha mãe improvisando uma espécie de pizza. Estava aqui pensando em pessoas, só estava aqui sem petensão de escrever nada, ou melhor, querendo mais não conseguindo outra vez. Foi quando minha mãe me chamou: "Alice, vem ver se tá bonito", chegando lá tinha três formas e ela disse: "Óh que chique.. Tem pequena, média e grande", nesse momento voltei pro quarto e a vontade de escrever me tomou junto com uma vontade incontrolável de chorar...

TPM é foda!

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

... A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.

Charles Bukowski

Domingo, 21 de Junho de 2009

Deuses

Sabe aquela pessoa que você não conhece e está onde você queria estar nesse momento? A amiga da sua amiga que é uma atriz maravilhosa por exemplo ou aquela pessoa que por algum motivo sei lá porque você só guardou coisas boas? Parece que essas pessoas não falam a mesma língua que a gente e que são tão perfeitas que a gente nem consegue imaginar. Não são comuns o suficiente para constar em lista telefônica, jamais um dia estariam na fila do meu ônibus e nunca, nunca andaram de madrugada no centro numa de suas calçadas sujas, urinadas e defecadas vendo ratos por todos os lados quando voltavam sozinhas do seu trabalho. Aí, um belo dia você as conhece ou as reencontram e então acontece de você dar graças a Deus por ser você mesmo. É! As vezes a imaginação não tem limite.

Aliás, todo mundo devia andar no centro de madrugada.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Minha mãe quer que eu case mais eu nem tenho namorado, ela quer que eu ganhe dinheiro e sou atriz e trabalho num projeto social. Eu sou maravilhosamente decepcionante!

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Andei um pouco distante, é que quando penso em escrever só consigo pensar: Sobre o quê? Acho que estou vivendo mais.
Coloquei aquela música que me inspira e estou aqui, não conseguindo, ou sim? Então vamos lá:
Os meninos do projeto tomam boa parte dos meus pensamentos, penso não só no que vou dar na próxima aula, mas também no trabalho que eles dão ao mesmo tempo em que são adoráveis e me enchem de vida.
Os meus sonhos e as crianças me leva pra um mundo novo de possibilidades que eu não escrevia aqui.
Acho que estou me esvaziando de certas coisas mil vezes batidas e cansativas como decepções com pessoas previsíveis, vazias e cheias de teorias. Chego a pensar que se me decepcionarem hoje eu não vou ligar caso eu perceba.
A parte a isso tenho os melhores amigos possíveis, penso neles e em como ajuda-los, como eles fazem comigo.
Rio, me divirto, resolvo problemas(esquece-los as vezes é resolver), muitos me procuram, mas acho que são fundamentais para que a normalidade das coisas não me engula estressantemente, as vezes choro e acho que não vai dar, supero e aí começa tudo de novo.
Enfim, estou vivendo.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

" Gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão. "

Clarice Lispector

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

"Ela normalmente dava bons conselhos a si mesma (embora raramente os seguisse), e às vezes se repreendia tão severamente, que ficava com os olhos cheios de lágrimas."

(Lewis Carroll)

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Se você não conseguisse se lembrar de nada, por mais que tentasse? Atada aos dias felizes do passado, como naqueles pesadelos que você quer acordar e não consegue.
Como que por temor de sair do seu mundo feito de lego e se esquecer de vez do seu pula pirata, do lango lango, do cabeça de batata e das mini garrafas de coca cola que não tinham veneno dentro, vc não fizesse valer as lembranças do primeiro emprego e do quanto foi maravilhoso perde-lo, da primeira noite de amor que seu corpo pulsou o seu primeiro ápice de se sentir vivo e até da dor que te faz pensar que a música mais linda do mundo não é uma lambada do Sidney Magal.."chorando se foi quem um dia só me fez chorar..."rs
Então quando acordamos ficamos com fome de viver e errar porque errar é dor de querer viver. E de livramos da prisão de um passado bom e fazer só o que precisamos, nos lembrar.
Viver o passado, nos faz perder muito tempo desviando caminhos rumo a pernas alheias, então passamos um ano e mais sem olhar para as nossas próprias pernas, aconteceu comigo. Elas já não eram mais minhas, elas só perseguiam outras pernas, pernas negras de pessoas que já estavam muito longe, por isso é que eu também estava longe. Inexistente. Elas nunca me obedeciam e as feridas latejavam. O chão já havia roído o gesso e depois a carne viva. Usar muletas foi a opção mais segura de não sentir mas dor, os meus pés no chão e a vida. É duro morar longe quando sua perna está quebrada ou quando sua mãe está bem distante de ser uma ortopedista. Mas, apesar disso, tenho chegado cada vez mais cedo em casa. Na minha própria casa.

Sábado, 4 de Abril de 2009

A dança dos tipos

Na incrível “dança dos tipos” que é o mundo, nenhum me impressiona mais do que atores e atrizes. Que gente incrível, esta do teatro! Andam por aí com a alma transbordando de tantas vidas que percorrem numa só. 
Mas não se engane, colega! Uma atriz nunca usa máscara. São dela os rostos que você vê. Como a água que você bebe, que não era sua antes, de você botar pra dentro, não eram dela as faces antes de ela vesti-las. 
Acham uma existência só muito pouco. E aí vivem muitas. E aí, insaciáveis, vivem as nossas, para que possamos nos olhar quando as vemos no palco. 
E querem ser amadas! Essa gente representa para ter atenção. Só pedem isso: atenção.
Mas colega, aqui entre nós, quem não quer atenção? Não é isso que difere os atores de nós. É a capacidade deles de reconhecer dentro deles o santo e o monstro. E expurgar o monstro em cena, para que nós nos livremos dele. 
Que ninguém diga que uma atriz não tem personalidade! Claro que tem, colega. É apenas múltipla, como o Rio de Janeiro, que tem mil cidades dentro. Múltipla, como todo ser humano é. 
Atores não mentem. Nós é que mentimos quando fingimos ser uma coisa só. Não ser atriz é passar a vida mentindo. Atuar é assumir, de verdade, mil faces, duas mil mudanças, três milhões de sentimentos.
São muito acompanhados e solitários, esses seres do palco. Acompanhados, pois andam em bando como alguns pássaros. E solitários porque às vezes não conseguem se ver no palco, pois não suportam estar na platéia. 
Se eles representam a todos nós, colega, quem os representará? É preciso amar essa gente. Deus fez o mundo em seis dias e no sétimo, fingindo descansar, inventou atores e atrizes, para que ele mesmo entendesse o que havia criado. "



(Oswaldo Montenegro)

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Triato!













AGUARDEM!!!!!!!

Atenta outra vez!

O que mede o ápice de uma vida? Será que saberei reconhecê-lo quando chegar?
Será quando tudo que sonhou se realizar, quando conseguir o emprego que queria muito, um amor que te busque no trabalho e de tão grande, quando você falar dele seus olhos se encherão de água?

Nesse dia todos na rua estarão felizes e sorrindo só pra você.
E se não durar, que a lembrança seja um ápice pra sempre, algo que te faça sentir vivo.
No fundo acho que temos várias chances e tudo é só uma questão de não estarmos distraídos quando este momento chegar. Eu estou atenta agora e você?

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Tenho a pele morna e seu corpo não me aquece mais, consertei o aquecedor ou é só o calor de mais uma estação? Veremos.
Que passe por mim furacão ou uma brisa. Eu só quero me sentir fresca.

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Quero escrever algo, mas minha cabeça vazia não está com inspiração para poesias, então vou falar de uma peça que assisti e que gostei muito.


Peça: Aqueles dois (Companhia Luna Lunera)
Do conto de Caio Fernando Abreu

A peça retrata a vida de dois rapazes solitários que se reconhecem e estreitam seus laços através do gosto pelo cinema. A solidão, a sensação de vazio, o trabalho maçante e rotineiro que não foram sonhados por nenhum dos dois personagens: tudo isso é muito comum, principalmente aos habitantes das grandes cidades.
No momento em que os personagens se esbarram com a leveza e a vivacidade que trouxeram as próprias vidas ao se relacionarem, fazem com que haja uma identificação quase que instintiva por parte dos espectadores.
Atribuído a isso, o texto foi narrado de maneira tão informal que, por vezes se misturava com os diálogos da peça, reforçando a idéia de identificação, como se a platéia saísse do seu lugar cômodo e fizesse também parte do espetáculo.
O homossexualismo assim como no conto de Caio Fernando de Abreu, foi tratado de forma sutil e gradativa, alias, toda a peça foi representada quase com absoluta paridade ao próprio texto.
O jogo de partituras físicas entre os atores criou uma sensação de envolvimento dos personagens, que foram se tornando quase que um só ao decorrer da peça.
A trilha sonora que foi coloca durante a peça pelos próprios personagens, harmonizava-se perfeitamente com o contexto, chega ser estranho agora pensar que de fato havia uma trilha sonora, seria talvez mais apropriado dizer que a trilha era mais um personagem da peça. As canções, os discos e músicos citados nos próprios diálogos davam um clima mais intimista e aliado ao cenário carregava o ambiente de uma nostalgia meio anos 80, resgatando por vezes a memória e sensibilizando ainda mais o espectador.

História simples que poderia chegar ao banal se não fosse o modo cuidadoso e inteligente para que tudo parecesse incrivelmente novo. E pareceu!

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Eu não sei saber se sou mais feliz agora ou se estou me acostumando com a dor que sinto, nem sei se felicidade é nos acostumarmos ou não sentir mais dor, o que sei é que hoje me sinto tão bem.
Uma felicidade que me embarga a voz e que necessita do pouco que eu posso dar, apenas um computador, uma canção de Mercedes Sosa ou qualquer canção de qualquer um do clube da esquina. Desconfio de loucura ou de uma sanidade absurda, mas se for loucura quero um infinito dela. Me sentir acompanhada a dois dias completamente sozinha em pleno carnaval, ouvindo a minha voz apenas quando rio da vídeo cacetada, quando leio um texto em voz alta, não ligar de não parecer poética e assumir que eu me divirto com esses vídeos bestas, me faz gostar mais de mim.
Estou com a sensação que se eu morresse agora, Milton Nascimento choraria no meu enterro.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Seja você

Vai sempre ter alguém
Com mais dinheiro, mais respeito
Mais ou menos tudo que se pode ter
Vai sempre sobrar, faltar
Alguma coisa, somos imperfeitos
E o que falta cega p'ro que já se tem
Eu não te completo
Você não me basta
Mas é lindo o gesto de se oferecer
O que eu quero nem sempre eu preciso
Mas dê um sorriso quando me entender
Seja você
Sejá só você.

Herbert Vianna

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Nascer


Eu sou um mundo desabrochando,
Procurando, procurando,
Sozinho de tanta gente?
Acreditar que sim é querer mal a mim,
Mas por vezes me cansa acreditar,
Que em meio a tanta casca serei pássaro.

Pessoas são esculturas vivas,
Expostas em toda parte,
Como nem toda arte é boa,
Nem toda pessoa é.

Por isso prefiro a palavra,
Inteligente nem triste,
Estúpida nem feliz,
Palavras, apenas palavras,
Sem nome, sem corpo, sem rosto,
Palavra acrobata, escritora e atriz.

Tédio

Tudo é tão frágil que tenho medo de perder tudo.
Quero algo que me tira essa pressa dos infernos,
Sinto um tédio de pressa que é de corroer os ossos,
Tenho o estômago forte, mais sabe,
Às vezes a vida não me cai bem à noite.

Ânima


A minha alma não mora comigo, bem pequena ela morava no quintal, e se escondia na prateleira de brinquedos.
Hoje eu a visito em bares, na biblioteca ou na casa de alguém.
Quando a procuro em bancos de praça, sento-me cansada, mas se vejo um casal precisando de um, levanto-me rápido, um banco de praça não cabe menos que um casal de almas.
A procuro ansiosa como um presidiário assistindo um dia bonito de verão, dias em que ando tanto, que no fim eu só quero não sentir mais calor.
Tomara que alguém a encontre e devolva amanhã.

Consolo na praia

Vamos, não chores…
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias

precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento…
Dorme, meu filho.

Carlos Drummond de Andrade

Desejo


Meu coração está cheio agora,
Se encheu de repente de algo que nem sei,
Uma alegria vazia de sentido,
Algo que quero escrever,
Mas não consigo,
Algo que quero falar,
Mas não sei o nome,
Tem coisa que é assim mesmo,
Só desejo.

Poesia em construção

É palavra abortada
E gerada e gerada
É palavra morta na ponta da língua
Na hora da chegada.

É escultura presa
Mal lapidada
É arte que cumpre sentença
Eternizada.

É presente em construção
A poesia é diamante
A palavra é carvão.

Existir

Por faltar vive e é importante,
O tempo, o mar, um amigo, um filho distante,
Mas sem saber que vive,
Quem nunca pensou em morrer pra existir por um instante?
Mas é que tentar existir é definitivo,
E morrer é só uma chance.

Desprezado gerado

A mariposa no teto prestes a cair,
O último ônibus prestes a sair,
Um tempo de guerra,
Caetano no acaso,
A pele negra no coração,
A febre alta dentro da alma,
Minha alma com um monstro dentro às três da manhã,
Meu amigo..
E ele não dorme,
Eu sinto dor,
E ele não nasce,
E de tão grande,
Já não cabe mais.

Luz


Relâmpago, nunca raios de sol,
Numa noite escura de chuva,
Isso faz uma diferença danada.

Chuva de gelo

Não tenho medo:
Da dúvida,
Do astigmatismo,
Da chuva de gelo,
Da fumaça de cigarro,
E da TV,
Sei bem que isso sempre vou ter.

O que me preocupa é:
A poesia,
A infância,
A alegria de ser,
E tudo mais que me faria morrer.

Metas


Aprender um acorde pra tocar a vida, uma música suave de sonhar,
Aprender a dançar nosso som e sentir pulsar no meu corpo a paz ao acordar,
Aprender a me fazer companhia e alguém pra me acompanhar,
Te deixar e te esperar sem ser triste,
Decorar meu papel e me descabelar,
Sorrir mesmo que do lado oposto do rosto.

Foi tudo culpa do amor

Então é isso... Somos sádicos... Ok. Sim. Corações partidos, cartas de amor, de despedida, de dor. A busca da realização amorosa e a reparação da injustiça, vingança, ambição, poder, ódio x amor, esperança, sinceridade e entrega. Somos sádicos ou então... Melodramáticos! Românticos exagerados! Queimamos por dentro e por fora, escrevemos e copiamos poemas cheios de rimas bobas, choramos, rimos, cantamos e desafinamos... ...Então é isso... Somos sentimentais, até demais!




Direção: Cynthia Paulino

Domingo, 7 de Dezembro de 2008

Eu espero não me apaixonar por você(2007)

Eu e você, do ''me abraça e me beija'' ao '' eu quero ir embora, já não te amo, aconteceu, o primeiro beijo, os amassos, o coração disparado, nós dois, o felizes para sempre, os outros, o adeus, o nunca mais, sozinhos outra vez. Cantamos e choramos com Antony, Imogen, Emiliana, Sarah, Amy, Tori... Acho que ficamos mais corajosos,falamos de amor e desejos, nos olhamos nos olhos e... E foi quase sem perceber que ..

"Mas eu não estou louca! Evidente, natural!... Até, pelo contrário, sempre tive medo de gente doida! Na minha família — e graças a Deus — nunca houve um caso de loucura...Parente doido, não tenho! Só não sei o que estou fazendo aqui... Nem sei que lugar é este. Tem gente me olhando! Meu Deus, por que existem tantos olhos no mundo?..."

Valsa nº6( Nelson Rodrigues)






Direção: Cynthia Paulino

Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Alma perdida

Dividiu a alma em duas,
A outra parte se perdeu,
Num corpo sozinho estou apenas eu,
Perco-me em mim no escuro do espaço que sobrou.

O vazio da minha alma quer rezar,
Na aurora Deus é menos incubido,
Preciso esperar,

Retenho outra vez meu grito na garganta,
Deus! Meu coração vai me sufocar,
Tô com vontade de gritar pra fora,
Não posso mais esperar...

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Amarrado ao segredo, ao medo de mostrar,
Asas, penas fortes,
Pra que serve se não aprendeu a voar?

Negro pássaro na gaiola do esquecimento,
Sabe que para o mundo deixar de ser tão grande,
E pra tudo se tornar mais leve é preciso o céu.

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Mudança

Talvés a minha roupa tenha sujado muito antes de eu inventar que foi aquele sorvete de morango que eu tomei à caminho daquele lugar importante de pessoas limpas, ou por não querer passar minha própria roupa, por preguiça ,ou algum outro sentimento que ,sobrenada, você não acredite quando eu disser que eu a amarrotei no ônibus à caminho daquele lugar importante de pessoas bem alinhadas.
"Talvés até aquele quadro que era lindo à tempos atrás não combine mais na parede que já não é mas concreto."
E se você aparecer hoje, vai poder me ver, mas não estarei mas lá, quem sabe eu seja o novo inquilino.

Mas se mesmo assim quiser entrar, por favor, repare na bagunça da minha casa.

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008


Todo mundo foi aquele dia no parque, até Deus foi, ele gostou, acho que agora ele quer voltar.
"Deus é como o vento você não pode ver, mas pode sentir".

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

(João Guimarães Rosa)


Tantas vezes me mataram
Tantas vezes morri
Entretanto estou aqui
Ressuscitando
Graças dou à desgraça
E à mão com punhal
Porque me matou tão mal
Que segui cantando

(María Elena Walsh)

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Desesperança


Ontem fui num pequeno hospital aqui perto e as pessoas berravam com a goela do coração. Com aquela espera minha alma doeu mais aguda que o meu ouvido. Não ouvir é ruim mas não ser ouvido é opressão. É parar de respirar. No Brasil se socializa a dor.

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Quem sou eu?

Muito ou pouco? Não sei.
Tenho sempre um grito preso na garganta, uma vontade de cantar sem saber a letra e escrever sem inspiração. Tenho sempre o coração fértil. Mesmo quando a vida me deserta o que me falta ferve e o que vivo transborda. Estou sempre a espreita de uma gargalhada. Mas quando vem a tempestade eu me verto em linhas e escrevo, numa dedicação pura, num prazer integro. Escrevendo sou fonte que se prepara para um novo curso d'água. Daí não mais me preocupa nada.
Nem o tempo, o que ele me faz e o que eu faço dele.
Nesse momento enfim, sou puramente Alice.

Sábado, 16 de Agosto de 2008

O tempo (Pra vó Zilica)

O tempo é a poeira do existir,
Que cobre a dor e devolve a vida,
Que mostra que o sujo é degrau divino.

Com o tempo a poeira nos transforma,
No solitário poeta que escreve lindo em terceira ,
Por nunca ter sido a primeira pessoa mais que perfeita,
Na triste atriz que sorri para o personagem não sentir dor,
No desafinado cantor que compõe seu pesar.

Com o tempo a poeira nos transforma,
Na menina que ama e semeia esperança numa rachadura suja na calçada,
No velho que espera a morte,
E que ainda reza pela vida dos seus.

Com o tempo a poeira nos transforma,
No pássaro que voa alto para o mundo deixar de ser tão grande.
E pra tudo se tornar mais leve.

Com o tempo a poeira nos transforma.
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso. E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho entre luzes brandas e músicas invisíveis.

(Fernando Pessoa)

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Infância

Naquele tempo a angústia da pressa dava lugar à inocência de alguém que não sabia que tudo ia ser tarde demais, nem a pobreza habitual lhe parecia intimidar, era tão feliz que não pensava no sentido da palavra felicidade. Não era capaz de nomear sensações e nem conhecia tais palavras, “era feliz por que não sabia que a vida sempre falta as suas promessas”.
Cresceu ali mesmo, num galpão cheio de pó onde funcionava a marcenaria de seu avô.
Ela e sua irmã mais velha brincavam quase o dia inteiro nesse lugar, elas não tinham brinquedos de verdade e não os precisavam tudo não passava de madeira e a madeira era tudo... O cenário daquele filme de aventura em Guadalajara, os ingredientes da comidinha, a nave daquele programa de tv...
Elas viviam quase sempre envoltas por uma nuvem de poeira, mas naquele tempo nuvem era uma coisinha fofa e vaporosa e poeira eram só partículas freneticamente divertidas num feixe de luz. O pó não irritava e não era sujo, era uma espécie de anticorpo que a acautelava das sinusites, bronquites, do tédio, da falta de amor e da solidão.
Aposto que ainda pode sentir o cheiro da infância como quando chegava da escola, suada e com suas pequeninas bochechas rosada. Tudo corria bem, outras pessoas importantes nasceram e uma delas da mesma barriga que saíra. Ela já escrevia a caneta e se olhava no espelho.
No quartinho dos fundos onde guardavam as ferramentas havia um espelho bem grande, certo dia se olhou e seu rostinho tão branco, seu pequeno queixo bem acabado que até então era ignorado parecia agora um novo mundo. Essa noite ela se penteou até seus braços doerem.
Mas como regra nada permanece imutável e um novo dia amanheceu para uma nova ordem das coisas.
Era o dia de sua formatura do ensino fundamental, estava tão feliz, seria a primeira vez que participaria de uma, já que a do primário estava febril.
Além disso, era o dia do casamento de seu tio e sua irmã mais nova seria a dama de honra. O namoro já durava onze anos e os noivos estavam ansiosos.
Apesar do desassossego ficou incumbida de vestir e preparar a irmã para o evento já que sua mãe havia ido ao centro comprar sapatos e garantir que estaria elegante. Ela e a mãe partiriam pra festa logo após a formatura.
Mas o que ninguém esperava é que à tardinha concomitante ao pôr do sol um esvaziamento daquilo tudo cairia sobre ela.
Nesse instante portanto, a vida lhe atropelava violenta junto à irmã mais nova, bem diante dos seus olhos e sobre sua responsabilidade. Tentou gritar num aviso inútil, o automóvel estava rápido e a pequena foi arremessada bruscamente.
Sentia pela primeira vez uma dor inconsolável que nem suas pernas puderam suportar.
Com o acontecido aquela família tímida e calada não teve vergonha de chorar, aliás, ela nem sabia que eram capazes. Tudo era inesperadamente novo como se a vida lhe tivesse sido apresentada exatamente naquele dia.
Sem saber o que havia acontecido no hospital, que sua irmã ficaria bem, permaneceu deitada, imóvel, em posição fetal no sofá empoeirado e pela primeira vez a poeira irritou seus olhos e eles alagaram...
No mesmo ano tiveram que se mudar pra longe das pessoas que amava e com quem havia se criado, como se tivesse uma fase tivesse acabado. E assim foi. Coincidência ou não, ainda hoje tem a impressão que sua vida é marcada por ciclos.E acredite...
Ela já está na faculdade e ainda sonha em participar de uma formatura.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Ontem aos dezessete

Eu apenas queria que você soubesse que aquela alegria ainda está comigo e que a minha ternura não ficou na estrada não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse que esta menina hoje é uma mulher e que esta mulher é uma menina, que colheu seu fruto flor do seu carinho Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta que hoje eu me gosto muito mais porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora, é se respeitar na sua força e fé e se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse que essa criança brinca nesta roda e não teme o corte de novas feridas pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria que você soubesse que esta menina hoje é uma mulher e que esta mulher é uma menina.
Beijos meninas!